Análise Sintática

         As aulas de análise sintática não deveriam ser aulas de tortura. Infelizmente, em muitos lugares ainda são. Esse tipo de estudo já ficou tão estigmatizado que existem até poemas dedicados ao seu tema - inclusive bem humorados e não menos críticos em relação ao tipo de ensino que se faz(ia) em sala de aula. Vejamos um dos mais conhecidos, escrito pelo poeta curitibano Paulo Leminsky:


O assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjunção.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido na sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,

conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.
(Poema extraído do livro Caprichos e relaxos de Paulo Leminsky.
São Paulo: Brasiliense, 1983, p. 144).

            Apesar de parecer o contrário, as aulas de análise sintática podem ser muito interessantes e até mesmo prazerosas, quando feitas com uma certa lógica relacional e não apenas com a forçosa e tradicional "decoreba". 
                O que a galerinha do blog Diário Virtual de Leitura pensa? 
                Deixe aqui o seu comentário.

Comentários

  1. bom achei muito repetito essas aulas de análise sintatica,algo diferente que nunca ve e nem li .Mais acho que pode ser interesante se for feita com logica e levada pro noso dia-a-dia.

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  2. Concordo com o texto,pois analise sintatica sinceramente todas as aulas que tive nao da pra enteder nada.Entao mudando as aulas fazendo dinamica,videos bem divertidos explicando a matéria.conserteza daria certo.


    Nayanne Barbosa.3ºano de enfermagem

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