1 de outubro de 2017

Outubro Rosa: apoiamos essa campanha!


         Saudações turma, que acompanha o blog Diário Virtual de Leitura!
         Mais um mês se inicia e com ele a esperança de que dias melhores virão!!! Mas o mês de outubro tem muito mais do que esperança, tem o alerta mundial de combate ao cancer de mama  com o movimento popular internacionalmente conhecido como Outubro Rosa comemorado em todo o mundo. O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades. Este movimento começou nos Estados Unidos, onde vários Estados tinham ações isoladas referente ao câncer de mama e ou mamografia no mês de outubro, posteriormente com a aprovação do Congresso Americano o mês de outubro se tornou o mês nacional (americano) de prevenção do câncer de mama.
         A história do Outubro Rosa remonta à última década do século 20, quando o laço cor-de-rosa, foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, em 1990 e, desde então, promovida anualmente na cidade (texto adaptado de www.komen.org). 
        É importante destacar que os números assustam e aumentam a cada ano mesmo com ações dessa natureza. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima para 2016/2017, que  sejam diagnosticados 57.960 novos casos de câncer de mama no Brasil com um risco estimado de 56,20 casos a cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o tipo mais frequente nas mulheres das regiões Sudeste (68,08/ 100 mil), Sul (74,30/ 100 mil), Centro--Oeste (55,87/ 100 mil) e Nordeste (38,74/ 100 mil). Na região Norte, é o segundo tumor mais incidente (22,26/ 100 mil).
        O câncer de mama é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Cerca de 1,67 milhões de casos novos dessa neoplasia foram esperados para o ano de 2012, em todo o mundo, o que representa 25% de todos os tipos de câncer diagnosticados nas mulheres. Suas taxas de incidência variam entre as diferentes regiões do mundo.
        O câncer de mama é a maior causa de morte por câncer nas mulheres em todo o mundo, com cerca de 522 mil mortes estimadas por ano. É a segunda causa de morte por câncer nos países desenvolvidos, atrás somente do câncer de pulmão, e a maior causa de morte por câncer nos países em desenvolvimento.
       Apesar de ser considerado um câncer de relativamente bom prognóstico, se diagnosticado e tratado oportunamente, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas no Brasil, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estágios avançados. (Fonte: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/estatisticas-para-cancer-de-mama/6562/34/) 
       Nós que fazemos o blog Diário Virtual de Leitura apoiamos essa campanha e já estamos rosa em combate e prevenção ao câncer de mama. Junte-se a nós!!!

20 de agosto de 2017

A menina de Goiás

       Saudações literárias, turm@ que acompanha o blog Diário Virtual de Leitura!



      Após um período de ócio produtivo, o blog retorna as suas postagens habituais. E a data não poderia ser mais propícia, pois hoje se comemora o 128º aniversário da poetisa Cora Coralina, nasceu na cidade de Goiás, no dia 20 de agosto de 1889. Seu nome de batismo era Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Tornou-se doceira, ofício que exerceu até os últimos dias de sua vida. 
      Cora lutou contra o conservadorismo de sua época, e era alheia a modismos literários. Além disso, a escritora sempre buscou manter uma vida simples, vivendo longe do agito dos centros urbanos. Sua obra era retratava aspectos do cotidiano do interior do Brasil, em particular de sua cidade natal, Goiás. Cora mudou-se para São Paulo, e só voltou para a sua cidade 45 anos depois, expressando em sua poesia os obstáculos que enfrentou durante a sua vida. A poetisa morreu em Goiânia. A casa onde ela passou a sua infância e adolescência, às margens do Rio Vermelho, foi transformada em museu.
      O site http://noticias.universia.com.br em comemoração aos 30 anos de sua morte enumerou os cinco famosos poemas e Coralina, tarefa difícil, não é mesmo? Então, vamos a eles!!

1º poema:  Aninha e suas pedras
“Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha um poema.
E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede.”

2º poema:  Mãe
“Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos, não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
“Nunca será um lar para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.
Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições…
Empregos fora do lar?
És superior àqueles que procuras imitar.
Tens o dom divino de ser mãe Em ti está presente a humanidade.
Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és. Roendo o teu osso negro da amargura.”

3º poema:  Eu Voltarei
“Meu companheiro de vida será um homem corajoso de trabalho, servidor do próximo, honesto e simples, de pensamentos limpos.
Seremos padeiros e teremos padarias.
Muitos filhos à nossa volta.
Cada nascer de um filho será marcado com o plantio de uma árvore simbólica.
A árvore de Paulo, a árvore de Manoel, a árvore de Ruth, a árvore de Roseta. Seremos alegres e estaremos sempre a cantar.
Nossas panificadoras terão feixes de trigo enfeitando suas portas, teremos uma fazenda e um Horto Florestal.
Plantaremos o mogno, o jacarandá, o pau-ferro, o pau-brasil, a aroeira, o cedro.
Plantarei árvores para as gerações futuras.
Meus filhos plantarão o trigo e o milho, e serão padeiros.
Terão moinhos e serrarias e panificadoras.
Deixarei no mundo uma vasta descendência de homens e mulheres, ligados profundamente ao trabalho e à terra que os ensinarei a amar.
E eu morrerei tranqüilamente dentro de um campo de trigo ou milharal, ouvindo ao longe o cântico alegre dos ceifeiros.
Eu voltarei…
A pedra do meu túmulo será enfeitada de espigas de trigo e cereais quebrados minha oferta póstuma às formigas que têm suas casinhas subterra e aos pássaros cantores que têm seus ninhos nas altas e floridas frondes.
Eu voltarei…”

4º poema: Ressalva
“Versos…não Poesia…não um modo diferente de contar velhas histórias”

5º poema:  Meu Destino
“Nas palmas de tuas mãos leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas, interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes – íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos Passavas com o fardo da vida...
Corri ao teu encontro.
Sorri.
Falamos.
Esse dia foi marcado com a pedra branca da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos juntos pela vida...”

         Após a leitura e apreciação dos cinco poemas, que tal destacar nos comentários a sua indicação de leitura da poetisa de Goiás? Esperamos seu comentário!!! 


 

15 de março de 2017

Entre o belo e o grotesco

      Saudações leitoras, turm@ que acompanha o o blog Diário Virtual de Leitura!
      Nos últimos meses o Brasil tem vivido muitos momentos marcantes, não é mesmo? ´Pensando em tudo que vem acontecendo em nosso país nossa indicação de hoje é um clássico da literatura universal: O Corcunda de Notre-Dame de Victor Hugo, publicado em 1831. 



      A obra veio a público originalmente com o título de "Notre-Dame de Paris", e nem sequer se centrava na personagem que a eternizou.Na obra, Victor Hugo não se limita a descrever apenas a antiga Catedral, mas ilustra historicamente a sociedade da Paris medieval, e os contrastes dos seus personagens, desde os pedintes e ciganos ao rei e à nobreza.
     A história passa-se em 1482, em Paris, a capital de França, mas as problemáticas trazidas por Hugo ainda se fazem presentes em nossa sociedade, como: xenofobia, desigualdades sociais, confrontos de interesses, entre outros. 
      Mas vou deixar de falar e abrir espaço para a mais nova colaboradora do blog Diário Virtual de Leitura: Miah Souza!!! Miah se apresenta como filha de Deus, com fé inabalável, estudante de Letras e amante de livros. Vamos dar as boas-vindas a nossa mais nova colaboradora lendo sua resenha sobre a indicação do blog de hoje e deixando nos comentários nossas impressões.
       Bem vind@, Miah Souza!!! ;) 

12 de janeiro de 2017

Homenagem ao "pai da modernidade líquida"

      Saudações, turm@ que acompanha o blog Diário Virtual de Leitura!
     Nossa postagem de hoje é uma singela homenagem ao "pai da modernidade", o filósofo e sociólogo contemporâneo polonês Zygmunt Bauman, que faleceu no último dia 09 de janeiro.
     Bauman nasceu em 19 de novembro de 1925, em Poznan, na Polônia, Bauman serviu na Segunda Guerra Mundial e tem uma extensa biografia com reflexões sobre a sociedade e as mudanças do mundo atual. 
     Ficou mundialmente conhecido por sua principal teoria chamada 'modernidade líquida', que aborda  a "liquidez" das relações sociais na modernidade e pós-modernidade e abriu um vasto campo de estudos para diferentes áreas, como a filosofia, a cultura, o relacionamento humano. A teoria tem foco no individualismo e na efemeridade das relações - e até mesmo na revolução que as mídias digitais trouxeram para a sociedade moderna.
     Ativo, mesmo aos 91 anos, Bauman não parava de trabalhar em livros e teorias, sendo um dos maiores filósofos e sociólogos do fim do século 20 e início do século 21. Grande parte das suas obras foram traduzidas para o português e o seu último livro lançado no Brasil foi "A riqueza de poucos beneficia todos nós?".
    Nossa sincera homenagem ao filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman que se foi, mas deixou uma imensa produção que ficará viva na nossa sociedade líquida. 



2 de janeiro de 2017

Qual a música?

      Saudações musicais, turm@ que acompanha o blog Diário Virtual de Leitura!
     Ainda no clima de início de ano, nossa postagem hoje traz uma retrospectiva diferente. Trata-se dos tops hits de 2016, seleção feita pelo grupo TriGo.
     A brincadeira proposta é muito simples: veja e escute o vídeo e elenque você também  sua lista de top hits e/ou nos comentários dê sua opinião sobre as músicas destacadas pelo grupo.
    Vamos lá? Aumente o som!!! 

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=vUDnK8uyTjw

30 de dezembro de 2016

Retrospectiva 2016

     Saudações festivas, turm@ que acompanha o blog Diário Virtual de Leitura!
     O ano de 2016 já está se despedindo e muito foi vivido, dividido e compartilhado e tenho certeza aprendido, por isso nossa postagem sugere essas reflexões acerca do que foi aprendido a partir da música A lista de Oswaldo Montenegro. Entre alguns questionamentos temos: "Quantos mistérios que você sondava? Quantos você conseguiu entender? Quantos segredos que você guardava? Hoje são bobos ninguém quer saber? Quantas mentiras você condenava? Quantas você teve que cometer? Quantas pessoas que você amava?Hoje acredita que amam você?"
     Muito fortes esses questionamentos, não é mesmo? Por isso, gostaríamos de saber o que você listaria como importante nesse ano de 2016? Inspire-se na música e deixe seu comentário. 

 Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=Y5RI77hYTI4

23 de dezembro de 2016

O Natal está chegando ...

       Saudações natalinas, turm@ que acompanha o blog Diário Virtual de Leitura!
      Após uma breve pausa em nossas postagens, estamos retornando com o coração de cheio de alegria e sentimento de boas novas com o Ano Novo que se anuncia.
      Para ir preparando o clima natalino em nossos lares, o blog gostaria de compartilhar o texto O Natal  de Augusto Branco encontrado em http://www.refletirpararefletir.com.br/textos-de-natal com os demais leitores e amigos-seguidores como símbolo de carinho e amizade construída ao longo do ano.




O Natal 

Ouvi dizer que o Natal perdeu seu significado…
Que deu lugar ao consumismo,
Árvores de Natal
e Papai Noel
Mas eu prefiro lembrar que neste Natal,
Por conta dos empregos temporários,
Muitas pessoas puderam resgatar um pouco de sua dignidade.
E que por conta do dinheirinho extra que receberão
Muitos pais e mães de família poderão
Oferecer uma mesa mais farta aos seus filhos
Prefiro lembrar que
por conta das Campanhas de Solidariedade feitas nesta época
algumas crianças ganharão, sim, algum brinquedo.
E que você…
Você poderá dar Aquele Abraço nas pessoas que você gosta
Mas que “por falta de motivo” pra abraçar
Ficou contido até agora…
E, talvez, neste momento você perceba que,
Bem ou mal,
No Natal, o Amor está em toda parte!
Mas, se ainda assim, você não quiser celebrar nesta data
Não tem problema:
Quero te convidar a viver com o Espírito do Natal
Todos os teus dias!
Augusto Branco

30 de outubro de 2016

Dia Nacional do Livro


Comemore conosco uma data tão especial, em forma de comentário respondendo a questão acima.
Boa leitura a tod@s!
São dos desejos do blog Diário Virtual de Leitura!

9 de outubro de 2016

Poesia pra alma

     

     Saudações, turm@ que acompanha o blog Diário Virtual de Leitura!
    A postagem que abre o mês de outubro é muito significativa para o nosso espaço virtual porque trata-se de uma produção literária de muita importância por ser fruto do trabalho de um professor de Língua Portuguesa e incentivador incansável da leitura, estamos falando do professor Ciro Zulu Oliveira ou Ciro Oliveira Ferreira, cidadão de Jaguaruana-Ce, cidade vizinha a nossa Aracati. 
    Recentemente, o professor Ciro publicou seu segundo livro intitulado  "Poesia pra Alma", que marca a sua estreia como poeta, apresentando seu jeito de sentir, pensar e ironizar a poesia. Sua primeira produção "Pequeno Baú de Memórias", publicado em 2015, é uma coletânea de crônicas que une duas paixões do escritor: a terra natal e o próprio gênero crônica.
    O poema "Sufoquei" a seguir faz parte do livro "Poesia pra alma", publicado em julho deste ano pela editora Hbm, com 46 poemas divididos em três capítulos ou seções. O eu-lírico como se de um fôlego só registra o sentimento impiedoso de se acovardar diante daquilo que o faz sofre, sangrar. 
     Apreciemos, com muita alegria, o poema do professor, poeta e pesquisador Ciro Zulu, que marca o início do mês de outubro que homenageia dos professores de nosso país. 

Sufoquei

Quis falar.
Não pude.
Não pude ou não quis?
Não sei.
Aliás, eu sei.
Calei. Acovardei-me.
Sufoquei tentando matar
O que queria ser dito.
Não matei.
Fracassei.
Aquilo que eu não disse
Grita e sangra em mim.
E, assim, sou eu que
Morro aos poucos. 

Ciro Zulu 

26 de setembro de 2016

Questão de Pontuação

        
        Salve, salve, turm@ que interage com o blog Diário Virtual de Leitura!
      A postagem de hoje faz uma relação com a nossa língua materna no que se refere aos sinais de pontuação. Quem não já se viu com dúvidas quanto ao uso desses sinais? Pois bem, mas o texto a seguir poema de João Cabral de Melo Neto ( para saber mais sobre o autor clique aqui) nos sugere uma relação de reflexão que vai muito além de saber utilizar a pontuação de nossa língua. Você pode pensar nas relações humanas, na vid@, enfim...
        Desta forma, leia a seguir o poema e deixe suas impressões sobre o eixo central do texto: a que ele se refere? Que reflexões possibilita?

Questão de pontuação
—–
                                                       João Cabral de Melo Neto
—-
Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem tem alma dionisíaca);
—–
viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política):
—-
o homem só não aceita do homem
que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive
o inevitável ponto final.

Fonte: Agrestes, João Cabral de Melo Neto, Rio de Janeiro,  Nova Fronteira: 1985

21 de setembro de 2016

A paz invandindo o nosso coração

      
      Saudações pacíficas, turm@ que acompanha o blog Diário Virtual de Leitura!
      Hoje comemoramos internacionalmente o Dia da Paz, você sabia? O dia foi declarado pela Onu em 30 de novembro de 1981 e em 2006, por ocasião do Dia Internacional da Paz, Kofi Annan afirmou: Há vinte e cinco anos, a Assembleia Geral [da ONU] proclamou o Dia Internacional da Paz como um dia de cessar-fogo e de não violência em todo o mundo. Desde então a ONU tem celebrado este dia, cuja finalidade não é apenas que as pessoas pensem na paz, mas sim que façam também algo a favor da paz.
    E para comemorar esse dia tão importante e com grande carga de significado na atualidade até mesmo a rede social Facebook liberou o botão do "amei" para que seus usuários pudessem esbanjar paz pela rede social a fora. Nosso espaço virtual aqui não tem botões ou coraçõezinhos esvoaçantes, mas tem o espaço mais democrático e disponível possível: os comentários. Então nós queremos saber: o que é preciso nos dias de hoje para se ter a paz? A tão sonhada e desejada paz? 
      Desejamos sinceramente que a paz esteja em tod@s os seus corações!

16 de setembro de 2016

O que falta em nossa vid@s?

       Salve, salve, turm@ que interage no blog Diário Virtual de Leitura!
      A pergunta que abre a nossa postagem de hoje é bem intrigante, não acham? Há muito a sociedade busca essa resposta e a talvez a resposta esteja bem perto do homem. E foi  pensando nisso que trouxemos hoje um texto que sucinta muitas reflexões, há tempos esta autora não dava o ar da graça aqui em nosso espaço virtual. Alguém arrisca dizer que é? 
      Bem, estamos falando de Lya Luft, escritora, tradutora, colunista mensal da revista Veja e professora brasileira aposentada da UFRGS e que por sinal faz aniversário hoje. Olha que maneira bacana de homenageá-la duplamente: pelo seu aniversário e pela intensidade do texto, escrito há um bom tempo, mas que atravessa os anos com a atualidade que a reflexão sugere.
      Mas vou deixar de alongar a postagem e vamos ao que interessa: o deleite da leitura, é claro! Porém mais um tantinho de prosa. Não deixe de responder a questão inicial do texto e suas impressões de leitura nos comentários, ok?
       Boa reflexão a tod@s!


Falta alegria em nossas vidas

Meu Deus, como andamos chatos, dei-me conta outro dia. Não paramos de reclamar. Muitas vezes com razão: os impostos, o custo de vida, o desemprego, a violência, a prolongada adolescência dos filhos, a súbita falsidade de alguém em quem confiávamos tanto, a velhice complicada dos pais, a pouca autoridade das autoridades, a nossa própria indecisão.
As rápidas mudanças na sociedade, alguns ainda tentando arrastar o cadáver dos valores que precisam ser mudados, outros tentando impor a anarquia quando a gente devia era renovar, não bagunçar. Pensei que uma das coisas que andam ficando raras é a alegria, e comentei isso. Alguém arqueou uma sobrancelha: — Alegria? A palavra está até com cheiro de mofo...Tanta coisa grave acontecendo, tanta tragédia, e você fala em alegria?
Pois comecei a me entusiasmar com a ideia, e provocativamente fui contando nos dedos os motivos que deveriam levar a que o grupo se alegrasse: a lareira crepitava na noite fria, uma amizade generosa circulava entre nós, três bebês dormiam ali perto, na sala ao lado, ouviam-se risadas e, apesar de sermos na pequena roda mais ou menos calejados pelas perdas da vida, tínhamos os nossos ganhos em experiência, amores, conhecimento, esperança. Nenhum de nós desistira da jornada. Nenhum de nós era um malfeitor, um ser humano desprezível, ao contrário: a gente estava na luta, tentando ser decente, tentando superar os próprios limites.
Havia marcas da passagem do tempo em todos os rostos: ninguém se fizera deformar pelo fanatismo da juventude eterna, mas todos se gostavam o suficiente para não se deixar cair feito um trapo velho. Olhei em torno e gostei de nós: ali se viam belos cabelos pintados e belos cabelos brancos, rostos interessantes que tinham visto muita coisa, bocas marcadas que haviam dado muitas risadas e pronunciado palavras amorosas, mas também falado coisas duras, silenciado quem sabe ternuras difíceis, ocultado queixas que deveriam ter sido lançadas.
Mãos que tinham segurado bebês, conduzido crianças, confortado adolescentes, cuidado de velhos doentes, fechado pálpebras, dirigido automóveis, segurado ombros, fendido ondas, tapado o rosto em pranto solitário— quantas vezes ?
Éramos tão humanos, tão desvalidos e tão guerreiros, o pequeno grupo de amigos diante de uma lareira na noite fria, como centenas, milhares de outros, homens, mulheres, crianças, entre os dois mistérios do nascer e do morrer. Repeti a minha pequena heresia: — Eu acho que uma das coisas que andam faltando, além de emprego, decência e tanta coisa mais, é alegria. A gente se diverte pouco. Andamos com pouco bom humor.
Érico Veríssimo, velho amigo amado, uma de minhas mais duras perdas, me disse quando eu era muito jovem: “Lya, em certos momentos, o que nos salva nem é o amor, é o humor”.
Um riso bom ou um sorriso terno em meio a toda a crueldade, falsidade, hipocrisia, violência de acusações abjetas, de calúnias vis, de corrupção escandalosa, de desagregação familiar melancólica, de mentira secreta e venenosa pode nos confortar e devolver a esperança.

Lya Luft. Revista Veja. Editora Abril, 28 de julho de 2004.

Outubro Rosa: apoiamos essa campanha!

         Saudações turma, que acompanha o blog Diário Virtual de Leitura !          Mais um mês se inicia e com ele a esperança de que...